Pra frente, Brasil!

Era terça-feira, 15 de junho, dia de jogo da seleção. Mais que isso, era dia de estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2010. O jogo era à tarde, mas o país inteiro vivia a expectativa desde o primeiro minuto da madrugada - há um mês, uma boa parte desse país nem dava tanta atenção ao futebol.
Durante a Copa, todos os problemas perdem sua importância. A única coisa com a qual vale a pena se preocupar é o preparo físico dos jogadores e o nível de dificuldade do próximo jogo; a única certeza na vida de qualquer torcedor é que o país inteiro está representado naqueles 23 guerreiros, e esse país se une em torno de uma única ideia: pra frente, Brasil!
Escândalos políticos? No que eles nos afetam? Doenças terríveis? As vacinas só são necessárias porque não vai dar pra comemorar os gols se todo mundo estiver doente, e Deus nos livre de um dos jogadores adoecer também! A combinação de verde e amarelo, considerada brega em outras situações, agora se torna onipresente, e ai da mulher que perguntar o que é o impedimento (e sim, eu sei o que é)!
Não estou aqui para reclamar nem para dizer que a Copa é ruim porque nos tira da realidade (mesmo porque acredito que, sem oportunidades ocasionais de fuga, a realidade pode nos destruir). Também não vou falar sobre como o país inteiro se une para torcer, mas não se une para enfrentar a miséria. Na verdade, acho interessante essa capacidade que o esporte tem de nos tornar uma pessoa só, mesmo quando não estamos acostumados com essa coletividade. Eu, particularmente, nunca fui uma grande fã de futebol - só assisto a cada quatro anos -, mas nunca me sinto tão brasileira como quando estou comemorando um gol.
Não importa o quanto nos dediquemos a uma competição que, no fim das contas, não vai alterar em nada nossas vidas. É a Copa (o carnaval não chega nem perto) que congrega todos os brasileiros em um só coração e uma só voz, com direito a todos os clichês que a situação implica.

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