Amor Passageiro
Ela vinha andando apressada, ele avisou:
--O seu acabou de passar.
Ela agradeceu a informação. Era a terceira vez que perdia o ônibus essa semana. O dele passou, ela ficou só.
No dia seguinte ela chegou na hora, o ônibus é que atrasou. Como sempre, ele já estava na parada. Cumprimentaram-se como de costume e, pela primeira vez, conversaram. Falaram do tempo, das greves metroviárias, do trabalho dele, da faculdade dela. Os ônibus vieram, cada um saiu no seu.
Ficaram assim por dois meses, até que descobriram um ônibus que servia para os dois. Não funcionou. As estudantes de ensino médio faziam charme para ele, o cobrador não parava de se insinuar para ela. O motorista também dirigia muito rápido, não tiveram mais que 20 minutos para conversar. Em uma semana, qualquer clima de romance sucumbiria à falta de lirismo daquele ônibus.
Voltaram ao ponto inicial: ele num ônibus, ela no outro. Com o tempo, se conheceram melhor e começaram a namorar. Deram um tempo, voltaram, terminaram, voltaram de novo. Dois anos depois ela vinha andando apressada, ele avisou:
--O seu acabou de passar.
Ela agradeceu a informação com um beijo. Era a terceira vez que perdia o ônibus essa semana, mas se isso significava mais tempo com ele, sem problemas.
No dia seguinte ela chegou na hora, o ônibus é que se atrasou. Atraso suficiente para que ele tivesse tempo de tirar um anel do bolso e fazer uma pergunta, que ela respondeu com outra:
--No seu ônibus ou no meu?
--O seu acabou de passar.
Ela agradeceu a informação. Era a terceira vez que perdia o ônibus essa semana. O dele passou, ela ficou só.
No dia seguinte ela chegou na hora, o ônibus é que atrasou. Como sempre, ele já estava na parada. Cumprimentaram-se como de costume e, pela primeira vez, conversaram. Falaram do tempo, das greves metroviárias, do trabalho dele, da faculdade dela. Os ônibus vieram, cada um saiu no seu.
Ficaram assim por dois meses, até que descobriram um ônibus que servia para os dois. Não funcionou. As estudantes de ensino médio faziam charme para ele, o cobrador não parava de se insinuar para ela. O motorista também dirigia muito rápido, não tiveram mais que 20 minutos para conversar. Em uma semana, qualquer clima de romance sucumbiria à falta de lirismo daquele ônibus.
Voltaram ao ponto inicial: ele num ônibus, ela no outro. Com o tempo, se conheceram melhor e começaram a namorar. Deram um tempo, voltaram, terminaram, voltaram de novo. Dois anos depois ela vinha andando apressada, ele avisou:
--O seu acabou de passar.
Ela agradeceu a informação com um beijo. Era a terceira vez que perdia o ônibus essa semana, mas se isso significava mais tempo com ele, sem problemas.
No dia seguinte ela chegou na hora, o ônibus é que se atrasou. Atraso suficiente para que ele tivesse tempo de tirar um anel do bolso e fazer uma pergunta, que ela respondeu com outra:
--No seu ônibus ou no meu?
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